Fora das manchetes, o Piauí e o Maranhão vivem uma situação que representa, infelizmente, grande parte do estado deste país: a falta de estrutura e abandono.
Vai abaixo, relato de Rafaelly Palhano, de Teresina- PI; e de Kedley Jorge, de Imperatriz- MA, ao Blog do Tas.
Posto de doação de roupas e alimentos em Teresina, aqui.
PS: outros relatos de internautas são muito bem-vindos!
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From: rafaellypalhano@yahoo.com.br
Subject: Piauí ilhado!
Date: May 5, 2009 9:37:43 AM GMT-03:00
To: blogdotas@uol.com.br
| Tas, a situação aqui no PI está um caos..
Água por todo lado… Quase 2 mil famílias desabrigadas somente na capital…Barras e Esperantina estão debaixo d’água… As pontes de Teresina estão quase todas interditadas… O trânsito lembra cenas de Blindness… Hoje o prefeito, que por sinal está trabalhando como eu nunca vi um político trabalhar, decretou estado de calaminade, suspendeu as aulas em escolas públicas e privadas por 72 horas e declarou ponto facultativo. A recomendação das autoridades é que ninguém saia de casa, pois há o risco do nível do rio subir mais ainda e a rede elétrica faltar em algumas partes da cidade… O presidente chega às 10 para reunir-se com o prefeito e o governador… Mas sou meio descrente da política… Estamos todos aflitos… Se der, divulgue uma nota no blog… Estamos precisando de doações, pois tudo tende a piorar … Obrigada
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Rafaelly Palhano
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Tas,
Aqui no MA a coisa não é muito diferente da situação do Piauí… a diferença é que o Maranhão é maior e tem mais rios cortando o território, já que faz parte da Amazônia Legal, o que resulta em piores situações. Bem, moro na 2ª maior cidade do estado, Imperatriz e aqui a situação chegou ontem ao seu ponto mais crítico.
O nível do Rio Tocantins, que banha a cidade, subiu muito em poucas horas, por causa da abertura das comportas das hidrelétricas localizadas no Estado do Tocantins, que estavam com os reservatórios acima da capacidade. O transporte de balsas, realizado através do rio, foi interrompido, mais de 100 famílias tiveram que ser tiradas às pressas de suas casas, nos bairros mais baixos, mais próximos do rio. Felizmente, a chuva por aqui tem sido menos intensa, e, por isso, as ruas, que constantemente transformam-se em rios, devido à falta de um sistema eficiente de drenagem de águas pluviais, têm se mantido com o trânsito normal.
Mas um dos muitos riachos que cortam a cidade transbordou também na madrugada de domingo para segunda, derrubando uma ponte de uma estrada vicinal que dá acesso a grande parte da zona rural, deixando muitas famílias isoladas e o pior, interrompendo também o acesso ao aterro sanitário do município. Ontem durante todo o dia, os meios de comunicação exibiam um pedido do prefeito para que as pessoas não colocassem o seu lixo nas ruas, para que não se acumulasse a sujeira nas ruas, podendo gerar doenças.
A prefeitura decretou estado de emergência e tentou conseguir “emprestado” os aterros sanitários de cidades vizinhas, mas nenhuma das cidades vizinhas possuem aterros que atendam a uma cidade do porte da nossa. Infelizmente, a cidade ficou sem coleta de lixo ontem, e enquanto a ponte estiver sendo reconstruída.
Os acessos à cidade também estão precários. A BR-010, mais conhecida como Belém-Brasília, que corta a cidade, está interrompida em vários trechos, e os caminhões que chegam a Imperatriz não podem seguir viagem no sentido Belém, pois a PRF interditou a rodovia. O que mais impressiona é que a situação se agravou no fim do mês de Abril e agora no começo de maio, período em que, normalmente, as chuvas na região já pararam. Isso pegou os governos de surpresa (municípios e estado), já que ninguém esperava mais tanta chuva em tal época do ano.
No resto do Maranhão, a situação é ainda pior. A BR 316, que liga o Maranhão ao Pará e ao Piauí também está interditada e o DNIT simplesmente não consegue recuperar a estrada, porque a chuva não para. A ferrovia São Luís-Carajás, que também serve de transporte de passageiros, também foi interditada por um deslizamento de terra.
Isso é um reflexo de um estado, há 50 anos, mergulhado no esquecimento. No esquecimento daqueles que preferem jogar baralho em sua mansão do Calhau ou pagar passagens aéreas (com a cota do senado) para os amigos irem até Brasília, para o cassino montado na mansão do Lago Sul.
Esquecimento também por parte do governo federal. Hoje Lula visita o Maranhão como presidente pela terceira vez. A primeira ele veio até Imperatriz anunciar a expansão da Universidade Federal do Maranhão; a segunda, foi até Timon (ao lado de Teresina), fazer campanha para a filha do Sarney; agora, vamos ver o que o ilustríssimo presidente dirá ou fará no Maranhão, com tanta calamidade.
Tas, sei que o Banco do Brasil iniciou uma campanha e abriu uma conta para que as pessoas possam ajudar a melhorar a situação no Maranhão. Infelizmente, não tenho o número da conta aqui comigo agora. Se você puder dar uma pesquisada e divulgar no site, o povo maranhense, com tanto sofrimento, agradece.
Kedley Jorge
Imperatriz-MA
Escrito por Marcelo Tas às 09h59