
Hoje, a Folha promove uma sabatina com o senador José Sarney. Será que alguém vai perguntar por que o nobre político é senador pelo Amapá se todo mundo sabe que ele é domiciliado no Maranhão? Aliás, como se diz por lá, com um trocadilho com o nome de um de seus livros que ninguém leu: ele é “O Dono do Mar-anhão”.
Sei que os jornalistas sabatinadores são preparadíssimos para a tarefa. Mas não custa pedir ajuda ao repórter Ernesto Varela para lembrar aqui o curriculum vitae do incrível Zé. Um homem que apóia o poder, seja ele qual for há exatos 54 anos. Impressionante!
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JOSÉ SARNEY
Começou em 1954, como deputado no mesmo partido do presidente Getúlio Vargas.
Depois fez uma oposição tão suave que o grupo dele era chamado Oposição Bossa Nova. Com Jânio Quadros, voltou para o governo.
No golpe militar, Sarney foi pra Arena, o partido de apoio à ditadura. Depois, farejando a mudança de ventos, dropou uma onda grande e confusa chamada Frente Liberal. Emplacou um lugarzinho de vice na chapa de Tancredo. Com a trágica morte dele, se tornou presidente.
Depois do cargo máximo da República, saiu tão por baixo que para conseguir ficar na onda do poder, fingiu que era do Amapá e se elegeu senador por aquele estado amazônico onde ele nunca viveu!
Então, apoiou FHC e conseguiu a presidência do Senado.
Depois que Lula virou governo, o ágil Zé Sarney dropou 180 graus e emplacou novamente a presidência do Senado em 2003! Para apoiar o PT! Sempre se equilibrando na crista da onda do poder.
Sarney é o único caso de político que tem uma história de radical. Radical de centro.
Não larga o osso nem que a vaca tussa.
Escrito por Marcelo Tas às 02h33