
Um dia Mercadante disse que ia romper com Sarney, pedir afastamento dele da presidência do Senado… No outro, levou um pito de Lula, enfiou o rabo entre as pernas e declarou, visivelmente humilhado, apoio a Sarney.
Um outro dia, jurou de pé junto que ia apoiar a investigação de pelo menos algumas das dezenas de denúncias contra Sarney no Conselho de Ética. Veio a noite trazendo um outro dia, ontem, quando Mercadante com uma cara de tacho descomunal contribuiu para derrubar todas as denúncias contra o coroné do Maranhão no Conselho de Ética.
Um outro dia nasceu, hoje, e Mercadante disse que ia discursar agora à tarde renunciando ao cargo de líder do PT no Senado. Reforçou dizendo que era uma decisão sem volta. Mas aí, telefonema vai telefonema vem, chega um recado para ir conversar com Lula antes de abrir o bico. Voltou atrás, adiou o discurso e agora está sentadinho esperando Lula para negociar.
Nunca um sobrenome caiu tão bem numa pessoa. Mercadante negocia, negocia, negocia… e permance sempre no mesmo lugar: negociando o seu lugar em cima do grande muro, recheado de pizzas e abacaxis que se tornou o PT.
Escrito por Marcelo Tas às 15h38