A semana foi, novamente, um nocaute para José Sarney. Desta vez foi localizado um neto dele, contratado ilegamente no Senado. O gajo foi imediatamente afastado. Com um detalhe nefasto: por um ato secreto, para que sociedade não fosse informada. E, como se a palhaçada não estivesse suficiente, no lugar do neto, foi contratada a mãe do mesmo!
Entenda a tramóia: Dona Rosângela Terezinha Gonçalves, casada com um filho de Sarney, foi contratada depois que João Fernando Sarney, seu filho, foi exonerado. O pai de João é Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.
Enquanto isso, como foi a semana de Sarney? Almoçou com Boni, ex-todo poderoso da Globo, no Gero, restaurante dos Jardins em São Paulo, quando degustaram um Chateau Petrus, vinho que vale por baixo a bagatela U$ 5 mil a garrafa. Depois foi à festa de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor do Senado, pivô de todos os recentes escândalos, um autêntico “Papai Noel” dos congressistas, como aponta o jornalista Josias de Souza em seu blog.
Hoje, para fechar a semana em grande estilo, Zé Sarney rabisca seu textinho semanal, publicado na Folha, com o seguinte título: “O mistério do AF 447”. O beletrista cita Camões, Guimarães Rosa, mas não dá um pio sequer sobre o que todos nós queremos saber: o mistério da caixa preta do Senado.
Como se vê, Sarney não teme a opinião pública. Está rindo da minha, da sua, da nossa cara, nobre internauta. Como leitor do jornal, sinto minha inteligência e meu bolso sendo desrespeitados com a publicação dos devaneios desse senhor.
Vai um trecho abaixo.
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Todos os que tivemos a graça da vida vivemos nosso destino e vicissitudes. Mas, quando na tragédia muitos destinos se cruzam irmanados na morte inesperada, desperta em cada um de nós a solidariedade na dor, a meditação sobre o perigo de viver, como dizia Guimarães Rosa. Unem-se e se cruzam as histórias, como a desse maestro cheio de vida e talento e a do desconhecido comissário que ia para um encontro com a namorada na Place des Vosges que jamais vai ocorrer.
Some-se a tudo isso a perplexidade que desfila em nossa imaginação de uma noite de tempestade, raios, sensores eletrônicos como bruxos e mágicos a governarem máquinas, fazer cálculos e o mar, que sempre foi e será um mistério maior, desde os tempos em que era chamado de mar tenebroso, aquele que ficava além das costas da África, com monstros e abismos, o mais célebre para nós o Adamastor, o gigante de Camões. Pois foi nesse mar que esses destinos mergulharam.
Escrito por Marcelo Tas às 11h13