
Hoje é o lançamento do livro “Macho Pero No Mucho”. Os trabalhos se iniciam com um debate sobre o dramático tema- qual o significado de ser macho nesses tempos trepidantes- com os dois autores da obra, André Rodrigues e Tiago Oliveira, mais os convidados Xico Sá e este que vos tecla.
Vai ser na Fnac Pinheiros, 19h30, em São Paulo. Você, leitor do Blog do Tas que estiver nas cercanias, está convidado. É só aparecer.
Abaixo, o prefácio que escrevi para a obra dos garotos.
MACHO PERO NO MUCHO
Um livro do cacete é aquele onde encontramos coisas que já pensamos mas nunca tivemos coragem de dizer ou escrever. Este é o caso do objeto que você tem nas mãos, nobre leitor.
Surpreedentemente, “Macho Pero No Mucho” foi escrito por dois homens que escolheram o jornalismo como profissão. A surpresa vem do fato que nós, jornalistas, nos levamos a sério demais. Principalmente quando o assunto é nossa própria sexualidade.
A vida de um jornalista parece, mas não é nada fácil. Principalmente, a vida sexual. O motivo é simples: somos seres humanos que nos colocamos naturalmente acima dos fatos. Formamos um pelotão de obcecados pela neutralidade. Uma espécie de Liga dos Justiceiros pela Imparcialidade a Qualquer Custo. Acreditamos piamente que fomos colocados pelas circunstâncias a assistir a realidade do ponto de vista de Deus. E Deus, como vocês sabem, não tem vida sexual. E sabe muito bem como influenciar pessoas.
Portanto, caro leitor, quando for avançar nessas páginas, e até para poder saboreá-las com o devido apetite, tenha esse fato sempre em mente: para um jornalista, falar sobre sexo é uma proeza de dimensões colossais.
André Rodrigues e Tiago Oliveira, os autores do livrinho, são indivíduos de muita sorte e coragem. Começaram seus escritos sobre sexualidade num site de internet. Bobinhos, como quase todos os homens, sonharam em ganhar muito dinheiro com os cliques de uma multidão de machos com problemas, como eles.
Foi então que, num prenúncio da chegada da Era de Aquarius, apareceu gente de todo naipe. Jovens, idosos, casados, separados, divorciadas, meninos, meninas, gays, simpatizantes e, principalmente, mulheres inteligentes! Estas tomaram conta do pedaço, de lupa em punho, prontas para entender melhor o que existe na cabeça daquela espécime rara de machos falantes.
É importante deixar aqui bem registrada a virtude crucial dos autores: além da coragem para falar, os caras aprenderam a ouvir e compartilhar a vasta experiência da platéia que surgiu na teia cibernética. E foi assim, nobres leitores e atentas leitoras, dessa poderosa fricção de corações e mentes, que nasceu este livro.
Agora, um último aviso aos homens. Especialmente para você que eventualmente ainda se julga muito macho. Prepare-se, você está próximo de sofrer uma remasterização das suas crenças e conceitos. Aceite-a com bravura e bom-humor. Fique tranquilo, você não precisa ter medo virar uma boneca do dia para a noite, ou num mero virar de páginas.
Para te ajudar nessa mudança de paradigmas que se aproxima, compartilho agora um daqueles pensamentos que nunca tive coragem de contar antes de ser convidado a escrever aqui. No novo ecossistema sexual que a humanidade se meteu- sem trocadilho- o macho mais macho da floresta se tornou o viado. Sim, ele mesmo, o homem que gosta de outros homens. Paradoxalmente, para encarar um varão de frente, ou de trás não importa, o cara tem que ser muito macho. O jogo é duro, pesado, previsível, objetivo e direto.
Agora, para encarar uma mulher, essas misteriosas e insondáveis seres humanas, não basta ser simplesmente macho. Temos que trafegar numa corda bamba que se situa algo além e ao mesmo tempo anterior ao macho. Temos que ser machos pero no mucho. Bom aprendizado a todos!
Escrito por Marcelo Tas às 15h08