Ler é um ato de rebeldia

Por Marcelo Tas

Em tempos de exposição excessiva em redes sociais, informações instantâneas em monitores, “modismos” surgindo diariamente e pessoas mais conectadas através da internet, segurar um livro é um ao de rebeldia.

Não digo isso como um discurso anti tecnologia. É necessário entender e aceitar a importância do avanço tecnológico para a nossa vida. No entanto, estamos deixando-o tomar conta de nossos dias e inclusive de nossa liberdade. Quem nunca se sentiu perdido ao se ver sem seu fiel companheiro: o celular? Nossa primeira pergunta quando chegamos a qualquer lugar é “qual a senha do wi-fi?”.

Estamos “tirando uma folga” de nós mesmos por meio da tecnologia. Uma folga de nossos sentimentos e pensamentos mais profundos, aqueles que só são acessados através de intensa reflexão, a qual se tornou rara atualmente. Nosso cotidiano tem um ritmo alucinante e o tempo que nos resta gastamos checando nossos celulares, atualizando nossos status ou simplesmente nos distraindo com algum jogo.

Ler é um ato de rebeldia em meio a tal cenário, no qual todos agem da mesma forma e às vezes sem nem saber o porquê, maquinalmente. Um livro aberto é a porta para novos mundos e, principalmente, para si mesmo. Muitos dirão que a leitura é um ato solitário se comparada às redes sociais. Pois eu digo que não. Ao ler, além de estar acompanhado de ótimos autores, você estará consigo mesmo. E melhor companhia não há! Todos os seus pensamentos e sentimentos terão liberdade para aparecer em meio ao turbilhão da sua vida e você se deparará com frases magníficas como a que usarei para encerrar meu texto. Deparei-me com ela ontem, enquanto lia “Crime e Castigo”, de Dostoiévski: “Teve a impressão de que naquele momento ele mesmo havia se amputado de tudo e de todos”.

E então? Vamos nos desligar um pouco de tudo e de todos e mergulhar em um bom livro? Não precisa abandonar o celular. Basta deixá-lo em um canto durante alguns minutos do dia e ao invés de olhar para a sua tela a cada cinco minutos, olhar para si mesmo através das palavras de outro alguém e das reflexões que elas despertarão.

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