
Depois de um bloqueio imposto pela rede de livrarias do estado- até onde vai a censura do Sarney, meus deuses!- vai ser lançado hoje em São Luis do Maranhão o livro “Honoráveis Bandidos”, do jornalista Palmério Dória, que traz a saga completa dos Sarney já presente na lista dos mais vendidos no Brasil.
O livro será lançado hoje, as 19h, no Sindicato dos Bancários em São Luis, capital maranhense que resiste bravamente ao cerco imposto pela familia bigoduda aos meios de divulgação! Acima, detalhes do lançamento. Abaixo a carta de Marcos Nogueira, coordenador da campanha de lançamento do livro no Maranhão, que envolveu oito blogueiros daquele estado. Mais informações no Jornal Pequeno.
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Caro Marcelo
Uma comissão de oito blogueiros que tem uma avaliação crítica à ação da governadora biônica Roseana Sarney e dos desmandos do presidente do Senado, José Sarney, no Congresso Nacional, no Amapá e, principalmente, no Maranhão, resolveram derrubar uma barreira imposta ao livro “Honoráveis Bandidos- Um retrato da era Sarney” no Maranhão.
Simplesmente as livrarias de São Luís estavam boicotando a venda do referido livro na cidade. Uns livreiros por medo da família imperial do Maranhão, o clã Sarney, e outros por sacanagem mesmo.
Este último caso explica o boicote das duas maiores livrarias da cidade: duas franquias da Livraria Nobel localizadas nos dois maiores shoppings da cidade; o São Luís Shopping e Shopping Monumental. Acontece que a proprietária das duas franquias é a empresária Marianne Lima, esposa do empreiteiro e engenheiro Flávio Lima.
Lima se formou na turma da Escola Politécnica da USP de 1978, junto com Ulisses Assad, Astrogildo Quental, Gianfranco Perasso e Fernando Sarney. Os cinco eram amigos e abriram uma empresa de planejamento e projetos de engenharia, a Proplan, com sede em São Paulo.
Essa pequena Proplan cresceu muito e abriu uma filial em São Luís em 1980. Essa pequena história que estou contando rendeu muitos frutos para Fernando e os sócios. Todos se mudaram para São Luís onde Fernando foi presidente da Companhia Energética do Maranhão, a Cemar, de 1983 a 1990: Ulisses Assad foi presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão, a CAEMA , durante o governo Lobão, de 1991 a 1994; e Astrogildo Quental foi Secretário estadual de Infraestrutura de 1990 a 1994.
Os outros dois colegas e sócios de Fernando, Lima e Perasso, ficaram na iniciativa privada e apareciam como sócios de Planor (empreiteira que recebeu U$ 16 milhões em 1995 da então governadora Roseana Sarney, por uma estrada que nunca foi feita, a Estrada fantasma Arame/Paulo Ramos, a MA -008), Vemar (venda e aluguel de veículos pesados para grandes obras), postos de gasolina e empresas diversas no setor de serviços às empreiteiras.
Com a Presidência do Brasil caindo de graça no colo do pai, os negócios de Fernando cresceram muito e ele passou a atuar em todo o Brasil no setor elétrico, hidroelétricas, grandes obras, Petrobrás, etc. Segundo matéria recente da Folha de São Paulo, Fernando manda e manipula ao seu bel prazer a agende de trabalho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que nada mais é do que um preposto de Zé Sarney.
Passados mais de 30 anos desde a formatura dos amigos na Politécnica da USP, as coisas tomaram um outro vulto. Da simples Proplan de 1978, o grupo liderado por Fernando Sarney, que segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal é uma OCRIM (organização criminosa) que sangra os cofres públicos da União e de vários estados, para hoje em 2009 se tornar um verdadeiro conglomerado de empresas que atuam em vários setores da economia brasileira.
Só para se ter uma idéia do tamanho da OCRIM dirigida por Fernandinho, não o Beira-Mar, mas o Sarney, compare o posto que cada um dos amigos da Poli de 1978 ocupa hoje:
1) Astrogildo Quental, de secretário estadual da Infraestrutura do Maranhão do início dos anos 90, agora é o diretor financeiro da Eletrobrás;
2) Ulisses Assad, de presidente da Caema no anos 90, até pouco tempo era diretor de operações da Valec, responsável direto pela construção da Ferrovia Norte Sul, afastado por suspeita de superfaturamento na construção da trechos da estrada no estado de Tocantins;
3) O maranhense Silas Rondeau, formado em engenharia na UF de PE, se incorporou ao grupo nos anos 80, onde chegou a ser presidente da Cemar. Até pouco tempo era o ministro de Lula das Minas e Energia, até que foi pego em flagrante recebendo um suspeito envelope pardo das mão de un funcionário da Gautama, de Zuleido Veras. Como premio de consolação por ter deixado a força o ministério, seu dindinho, José Sarney, conseguiu emplacar Rondeau em uma das seis vagas no Conselho de administração da Petrobras, ganhando cerca de R$ 105 mil por mês; e
4) Flávio Lima e Gianfranco Perasso continuam sendo sócios laranjas de Fernando Sarney em dezenas de empresas que trabalham no setor elétrico nacional, nas grandes obras do PAC como empreiteiras e também como empresas que fiscalizam (sic) o andamento das obras..
Como se pode ver é uma verdadeira máfia em ação.
E é exatamente sobre esses negócios de Fernando e o grande poderio político de José Sarney, que Palmério escreve em seu livro com o título que resume muito bem essa tragédia que vitimou o Brasil, o Amapá e, principalmente, o Maranhão: Honoráveis Bandidos.
O lançamento do livro com a presença de Palmério Dória autografando os exemplares que estarão a venda no local do evento, Sindicato dos Bancários, Rua do Sol, centro de São Luís, dia 04 de novembro, quarta-feira, às 19h00, será um momento impagável da história política brasileira.
Oito blogueiros e o Movimento Fora Sarney se juntaram para bater de frente com o patriarca da oligarquia mais atrasada e reacionária do país.
O evento acontecerá na capital do Estado que eles dominam e tratam como um feudo ou capitania hereditária a 40 anos, para lançar um livro que narra a verdadeira história do clã Sarney.
Só para encerrar Marcelo, quero informar que durante todo o evento a trilha musical orquestrada do filme ” O Poderoso Chefão” será o fundo musical do evento.
Sei que os custos de produção do CQC são muito altos, mas a cobertura deste lançamento em plena terra do Sarney seria uma pauta e tanto para vocês.
Un abraço,
Marcos Nogueira, coordenador da comissão de lançamento do livro HB em São Luís.
Escrito por Marcelo Tas às 13h00