Fragilidades

Por Marcelo Tas

Foto: Adriano Lima/Futura Press

 

Lula, principal autoridade do país, vive cercado de microfones, câmeras e jornalistas, certo? Errado. Ontem, no final da noite, o presidente teve uma forte crise de hipertensão- pressão arterial 18 x 12- em Recife enquanto se preparava para embarcar para Brasília. Antes da meia-noite, foi levado às pressas para o Hospital Português num comboio de carros que cruzou as ruas da capital pernambucana em velocidade superior a 100 Km/h. Por volta de 23h45, o presidente dá entrada no atendimento de emergência. Até ali, Lula, com certeza o brasileiro mais seguido e fotografado dos últimos oito anos, não havia recebido qualquer atenção da mídia nacional.

 

A partir de 0h20, o jornalista Jamildo Melo (http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2010/01/28/presidente_cancela_viagem_para_davos_meireles_vai_representalo_no_forum_mundial_62812.php) começa a publicar informações curtas dos acontecimentos em seu blog hospedado no site do Jornal do Comércio. Começam a surgir no twitter repercursões do fato e outros, muito poucos, jornalistas que tentam seguir os acontecimentos do Recife. O que se segue é algo surpreendente: por quase duas horas, o Blog de Jamildo é a única fonte de informação da situação de emergência que vive o presidente da nação. Nenhum portal de internet, TV, rádio estava acordado para o fato. O twitter vira fonte de troca de informação e alertas entre jornalistas sonolentos. A TV só noticia o fato à beira das 3 horas da madrugada. Os portais de web, um pouco antes e de forma burocrática, pouco acrescentando ao que já disse Jamildo- sem crédito algum, registre-se.

 

Agora há pouco, Lula chegou em sua casa em São Bernardo do Campo, onde vai se submeter a repouso médico. O carro oficial com vidros escuros é recebido por uma multidão de microfones, câmeras e flashes prontos para documentar o que não carece mais de documentação.

 

O piriri de Lula acabou revelando duas fragilidades: a fragilidade da saúde do presidente e a fragilidade da “velha” mídia, o que inclui os grandes veículos na internet. Afinal, qual é o diagnóstico da doença em ambos os casos?

 

PS: atenção bipolares e teóricos da conspiração, não estou falando de perseguições políticas ou veículo A, B ou C. Mas da fragilidade dos portais, da TV, das rádios e do próprio Google!

Escrito por Marcelo Tas às 14h04

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