Neste domingo de feriado, durante uns bons 20 minutos, talvez mais, o Fantástico abriu espaço para o casal acusado de matar a pequena Isabella. É a primeira vez que toco nesse caso, que não é de interesse ou competência desse blog. Faço isso por uma razão puramente de linguagem televisiva e de discussão de método jornalístico. Menos de uma hora antes, o mesmo programa havia remontado o quarto da garota em computação gráfica bem próxima do real, com um repórter passeando pelos cômodos, reconstituindo cada segundo do drama.
Mais à frente, na tão anunciada entrevista exclusiva com o casal mais caçado pela mídia, outro repórter, o excelente Walmir Salaro, não fez a pergunta crucial: como foram exatamente os momentos entre a chegada deles no prédio e a queda de Isabella? Muito estranho. E obviamente não estou falando aqui de sugerir que o repórter deveria ter batido pesado no casal, como sugere o clamor popular. Por que um repórter experimente como Salaro deixou de fazer a pergunta chave para elucidar essa tragédia horrível?
PS: não vou emitir opinião alguma sobre este crime. Mas penso se importante observar que durante a entrevista ao Show da Vida o casal, especialmente o pai, nitidamente insistiu em repetir as mesmas expressões- “família sempre unida”, “eles (os filhos) são a razão da minha vida”- de forma contínua, quase obsessiva. Mesmo quando elas não se relacionavam com as perguntas do repórter, que me pareceu acuado, calado. Essa repetição sistemática é um sintoma de quem passou por treinamento para se colocar diante das lentes da TV.
Escrito por Marcelo Tas às 12h37