Em Fevereiro, estive por 10 dias em Pequim. Na volta, com as primeiras conversas com colegas e amigos, percebe-se o óbvio. Nem tudo que se diz sobre a China é verdade. A poluição de Pequim não é diferente nem mais ameaçadora que a de várias cidades brasileiras, como São Paulo, por exemplo.
Mas, tem sempre um mas, qualquer tarefa de discernimento dos fatos é pulverizada por um detalhe importante: não existe liberdade de informação na China. Assim, cai por terra sempre qualquer tentativa de interação com o banco de dados chinês para poder comprovar os fatos.
Naquele país tudo é controlado, infantilmente diga-se, pelo governo que só tem um partido político. Infantilmente pois os caras agem como se ninguém fosse um dia perceber e denunciar isso. Enquanto a maioria absoluta do mais de um bilhão de chineses não conseguem ler ou entender inglês, ninguém vai notar que está navegando numa internet à parte. Onde é impossível acessar por exemplo a BBC de Londres ou a Wikipedia. Isso não deve durar muito, evidentemente.
No dia 8 de Agosto, quando os Jogos Olímpicos se iniciarem, 10 mil jornalistas e meio milhão de turistas estarão pelas ruas de Pequim. Como irão os chineses tapar esse sol com a peneira?
Ilustra: enviada pelo Marco Sodré (claro, este não é o verdadeiro significado do ideograma que simboliza os Jogos de Pequim, na primeira matéria da série que começa a ser publicada amanhã aqui no UOL a gente conta)
Escrito por Marcelo Tas às 13h38