Recebo dezenas de videos do confronto da PM com estudantes e trabalhadores no campus da USP, como este acima, enviado por João Busko. Por favor, ouçam com tranquilidade. Este blog não toma partido de nenhum dos lados até entender o que está acontecendo. E isso não é falsa ingenuidade.
O que conheço bem, desde quando fui estudante por lá: os trabalhadores da USP, grande parte lutando em condições nem sempre adequadas, é representado muito mal por um sindicato viciado, preguiçoso e sem interesse em resolver de verdade os problemas da universidade. O SINTUSP gosta de tocar fogo no circo, independente de quem esteja na direção do mesmo. Reza sempre a mesma missa: melhores salários, melhores condições de trabalho… blablablá… que evidentemente é o que todos nós gostaríamos. Mas no fundo, o que a realidade mostra é que a USP foi, ao longo dos governos, sendo formada por um corpo de funcionários inflado que perdeu a eficiência e a qualidade.
Será que todos os estudantes aí do video são concientes da complexidade da situação? Ou entraram no embalo e estão atuando como massa de manobra de quem simplesmente ver o circo pegar fogo?
Por outro lado: os governos até agora não enfrentaram para valer o problema. Todos prometem mundos e fundos e dizem saber o tamanho da encrenca. Porém, a Educação em todo país, sem exceção, continua tratada de forma precária e criminosa: no nível federal, estadual e municipal.
Pergunto aqui o que até agora ninguém esclareceu: o que querem os estudantes da USP? Estão de acordo com o SINTUSP? Gritar “fora PM” é muito pouco. Afinal, em greves passadas houve destruição de patrimônio público no campus, o que é tarefa da PM impedir.
O que eu vejo neste video não é nada demais. A PM tentando impedir a ocupação de avenidas. Os estudantes xingando e preparando uma reação contra a PM. Para quê? Para quem? Para onde?
Gostaria de ouvir, sem preconceitos, respostas para a pergunta: afinal, o que querem os estudantes da USP?
PS: fui informado que a posição do professor Dalmo de Abreu Dallari, emérito da Faculdade de Direito, nome tradicionalmente associado às causas da esquerda na Universidade, coincide com a que eu fui formando ao longo dos mais de 200 comentários deste post. Ufa, que bom saber que ainda tem gente como o professor Dallari na USP! Leia a entrevista concedida à jornalista Laura Capriglione (enviado pela @priscilavieira)
Escrito por Marcelo Tas às 10h42