
Respondo a vários que me perguntam sobre liberdade na internet chinesa. Infelizmente a resposta é sim, queridos amigos e amigas, a rede é controlada. Além, é claro e sabido, da censura a jornais e TV.
Daqui desta excelente banda larga de onde teclo agora, não consigo acessar vários portais, sites e blogs. Como o da BBC, a Wikipedia- enciclopédia coletiva onde seguramente o verbete China contém a informação que eu lhes trago agora. É uma pena. É a velha tentativa de tapar o sol com a peneira. De revogar a Lei da Gravidade. Ainda mais agora que a China passou os EUA e se tornou o país com o maior número de internautas do planeta: 210 milhões. Um dia, essa casa vai cair, podem escrever. Não precisariam passar pelo vexame da Rússia ou mesmo de Cuba, com essa melancólica “renúncia” de Fidel com uma carta no jornal mais estúpido e inútil do mundo: o Granma.
Conheci também vários blogs, inclusive alguns brasileiros, que não consigo acessar daqui. Entre eles, o “Cachorro Frito” porque postou uma lista com os termos e assuntos censurados pelos chineses. Aliás, é melhor não me alongar pois a qualquer momento… zapt… este blog sai do ar. E estou falando sério, crianças.
Outro aviso aos navegantes: os meus e-mails não estão chegando ao Brasil. No início pensei que fosse o meu cérebro arquitetando uma teoria da conspiração. Fiz o teste e comprovei: só chegam aí mensagens disparas direto do servidor de webmail do UOL. Quando uso o browser do meu computador, e consequentemente o servidor chinês, simplesmente nada acontece. É bizarra e antiga sentir na pele a censura. Há um Big Brother no comando da rede. E vejam bem que não estou falando do Pedro Bial.
Não sou meteorologistas, mas minha previsão é de chuvas e trovoadas quando se der o encontro da frente fria desse bloqueio com o ar quente representado pelos cerca de 31 mil jornalistas previstos para estarem aqui no Jogos Olímpicos. Faltam apenas cinco meses… Será que é tempo suficiente do partido tomar a decisão de liberar a internet?
Mas… sempre tem um mas… para compensar essa travação ignorante, hoje passei o dia num lugar da cidade onde se respira liberdade com muita criatividade. Além de muita atenção da mídia e grana do mercado global. É a Fábrica 798: ateliês de jovens artistas chineses localizados, ironicamente, dentro de antigas fábricas de componentes eletrônicos da era de Mao Tse Tung. Lá ainda se conservam nas paredes as propagandas originais do partido comunista chinês com odes ao grande patriarca da revolução vermelha. Talvez por não usarem o verbo, mas imagens como estas acima, os caras conseguiram furar o cerco da censura e os quadros valem centenas de milhares de dólares em galerias da Europa e dos Estados Unidos. Tratam com muita criatividade e uma beleza desconcertante temas tabus como: homossexualismo, preguiça, violência e a a própria memória do Partidão do chairman Mao. Visita imperdível para quem vier para as Olimpíadas.
A reportagem completa em video você verá no especial olímplico que será publicado pelo UOL Esportes, em Março.
Escrito por Marcelo Tas às 11h44