
A partir de hoje, passo a colaborar para o The New York Times (http://www.nytimes.com/) , uma vez ao mes, na coluna “Intelligence” do suplemento International Weekly.
É uma grande honra e alegria escrever neste diariozinho da capital do mundo. O suplemento é ainda publicado em mais de 30 países, em alguns dos jornais que eu mais admiro como La Repubblica (Itália), El País (Espanha) ou Asahi Shimbun (Tóquio). No Brasil, sai na Folha de S. Paulo, às segundas-feiras.
Estou ainda tentando entender o por quê de alguém supor que o que eu escrevo pode interessar leitores na Índia, Turquia ou Eslovênia? Agradeço à paciência e persistência do meu editor Tom Brady, aos coleguinhas brasileiros que parecem ter sugerido meu nome (Mr. Brady não entrega nem a pau) e também ao tradutor automático do Google, usado por Tom para ler algumas das mal traçadas linhas que escrevo por aí.
Vai abaixo, trecho do minha primeira coluna sobre “Gambiarra” e a lista completa dos veículos e países desse mundão véio sem porteira onde é publicado o NY Times Weekly. Parafraseando o colega colunista Ibrahim Sued, sorry periferia! Ou melhor: sorria periferia! 😉

Existe uma palavra-chave para entender o milagre, se é que ele existe, do Brasil estar entrando no ultracompetitivo clube que movimenta a economia global: “gambiarra”. Aqui, o termo ainda tem um certo sentido pejorativo, mas se tornou tão cotidiano e popular na cultura brasileira como o futebol. “Fazer uma gambiarra” significa resolver de forma improvisada, quando não ilícita, uma questão tecnológica.
Uma das primeiras e mais famosas gambiarras brasileiras -espalhadas como um vírus pela nação- foi a técnica de pendurar um produto de limpeza, a palha de aço, na ponta das antenas dos antigos aparelhos de TV para melhorar a recepção da imagem.
É importante apontar a característica que diferencia a gambiarra brasileira de outras manifestações “gambiárricas” pelo mundo, como o Maker Movement nos EUA ou a tendência “faça-você-mesmo”. A gambiarra brasileira é filha única da necessidade com a absoluta falta de recursos.
No dicionário Houaiss, gambiarra significa extensão elétrica com uma lâmpada na extremidade utilizada para trabalhar em ambientes escuros. No mesmo verbete, registra-se ainda o significado informal da palavra: extenção puxada fraudulentamente para furtar energia elétrica, também conhecida como “gato”. Com a revolução digital, a travessura ampliou-se para outros modelos de negócio, como a distribuição ilegal de TV a cabo e internet banda larga nas periferias das grandes cidades. Longe de elogiar a ilegalidade, penso que é hora de o Brasil e seus parceiros comerciais acordarem para o talento do brasileiro para o improviso alavancado pela vontade de ser alguém na vida.
Garrincha, o mais popular jogador de futebol brasileiro depois de Pelé, é um exemplo clássico dessa virtude. O “Anjo de Pernas Tortas”, como ficou conhecido, nasceu de pai alcoólatra e com várias disfunções físicas. Tinha a perna direita curvada para dentro e a perna esquerda, seis centímetros mais curta, curvada para fora.
Íntegra na Folha de São Paulo (só para assinantes da Folha ou do UOL).
O jornalista Marcelo Tas apresenta ao vivo o “CQC”, programa semanal satírico. Envie comentários para intelligence@nytimes.com
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(*) Jornais e países onde é publicado o The New York Times Weekly:
Argentina ● Clarín
Austria ● DER STANDARD
Bolivia ● La Razón
Brazil ● Folha de S. Paulo
Chile ● La Segunda
Colombia ● EL ESPECTADOR
Dominican Republic ● Listin Diario
France ● Le Figaro
Georgia ● 24 Saati
Germany ● Suddeutsche Zeitung
Greece ● Eleftherotypia
Guatemala ● Prensa Libre
India ● The Asian Age
Italy ● La Repubblica
Japan ● Asahi Shimbun
Mexico ● El Norte, Mural and Reforma
Panama ● La Prensa
Philippines ● Manila Bulletin
Romania ● Romania libera
Russia ● Novaya Gazeta
Slovenia ● Delo
South Korea ● The Korea Times
Spain ● El País
Taiwan ● United Daily News
Turkey ● Sabah
United Kingdom ● The Observer
United States ● Novoye Russkoye Slovo
Uruguay ● El Observador
PS: Agradeço quem puder enviar recorte com as edições internacionais do meu textinho. Por favor, deixe o e-mail nos comentários que eu entro em contato. Thank you!
Escrito por Marcelo Tas às 10h29