OLHAR ELETRÔNICO

01/01/2003 - Revista Simpples

OLHAR ELETRÔNICO

OLHAR ELETRÔNICO



Marcelo Tas



Para mim, a Olhar existiu de 1982 a 1987, quando virou uma firma de publicidade. Éramos moleques trabalhadores, criativos e abusados. A meta era "fazer a TV brasileira do terceiro milênio". Escrevemos isto na primeira página do livrão preto que acompanhava nossas reuniões. A meta foi atingida em grande parte. Veja só: subvertemos o telejornalismo com o repórter "Ernesto Varela", reinventamos a TV com a câmera na rua e criamos o "Crig-Rá", o programa jovem mais maluco da década de 80 que lançou o U2 no Brasil. Mesmo depois do fim da Olhar, foi o mesmo grupo que ocupou a TV Gazeta no final daquela década com o TV Mix. Na década de 90, parte da equipe se reencontrou na TV Cultura para criar a série infantil Rá-Tim-Bum, que mudou o padrão da programação infantil. Hoje, ainda vejo a Olhar Eletrônico viva na criatividade dos que ficaram na publicidade, como o Toniko Melo. Na cabeça pensante da TV Cultura que é o Dario Vizeu. Nos documentários etnográficos premiados do Renato Barbieri. E no talento explosivo do Fernando Meirelles, que o Brasil e o mundo finalmente reconheceram definitivamente com o sucesso de "Cidade de Deus".