O Legal do Programa Legal

01/02/1991 - Rev. Capricho

O Legal do Programa Legal

"A Regina Casé disse que o Programa Legal tinha uma cara de revista importada, tipo The Face. Eu acho que lembrava mais uma nacional, tipo a Capricho"

 

Pedro Cardoso

 

O Legal do Programa Legal

 

Que a Regina Casé e o Luiz Fernando Guimarães são superengraçados todo mundo já está careca de saber. Quem você vai conhecer agora são os atores das piadas que fazem a gente rolar de tanto rir.


Brincar de misturar verdade e colocar ficção no meio é o trabalho da turma encarregada de escrever o Programa Legal. Hubert, o redator chefe, é um dos especialistas no assunto e já faz isso há muito tempo - é um dos redatores do hilário jornal O Planeta Diário. Essa fórmula de humor também é bem conhecida por Pedro Cardoso, ele era uns dos atores da extinta TV Pirata. Outro roteirista é Marcelo Tas, que pulou da frente das câmeras - ex-protagonista do programa Netos do Amaral, na MTV - para os bastidores do Programa Legal. O único que entrou para a turma sem ter nada engraçado no currículo - mas que entrou rápido na veia do humor - foi o jornalista paulista André Waissman. Juntos eles trabalham duro e se divertem muito escrevendo um dos maiores sucessos da televisão brasileira.

 

Tudo começa da maneira mais tradicional possível: uma reunião. Os diretores (Guel Arraes e Belisário Franca), os redatores e apresentadores se trancam numa sala e dali não saem enquanto não pintar uma idéia sensacional para o próximo programa (igualzinho aqui, na redação da Capricho). Quando a idéia aparece a ordem é fazer todo mundo entrar no espírito da coisa: provar que aquele "programa legal" é mesmo um Programa Legal. 

 

O texto jornalístico fica por conta de Marcelo e André, enquanto Pedro e Hubert cuidam da ficção. Essa é a parte séria do trabalho dessa turma, mas a diversão já vai começar...


Onde a porca torce o rabo


Hubert, André, Pedro e Marcelo fazem uma espécie de mixagem com os textos. Um solta a piadinha aqui, o outro ali...Até que os quatros começam a rir de alguma besteira dita por um deles. Viva! a primeira das 50 páginas do roteiro está pronta. Mesmo as cenas que a gente pensa que aconteceram de improviso já estavam determinadas no texto. A graça é exatamente essa: tudo parecer que aconteceu sem querer (de vez em quando acontece mesmo!). E sem graça é quando pinta o terrível "deu branco" coletivo e a turma não consegue voltar para casa antes do dia clarear.


"As pessoas pensam que nós somos engraçados em tempo integral. Isso não faz sentido! O humor é meu trabalho, mas nem por isso sou comediante. A gente dá o maior duro aqui. Criamos tudo, mas a Regina e o Luiz é que têm a fantástica qualidade de deixar o programa natural".

Hubert


"O grande barato é que fazemos tudo em grupo e o trabalho sai mais facilmente. Claro que rola discussão, cara feia e mau humor. Mas também muita risada".

Pedro Cardoso


"Ter que viver rindo para fazer os outros rirem não funciona na prática. Tem madrugadas que saímos daqui com a língua no chão, caidaços mesmo".

André Waissman


"Descobri que é muito mais difícil ser engraçado escrevendo do que representando, sem aquela coisa da imagem, das caras e caretas. Sem dúvida, está sendo uma grande escola".

Marcelo Tas