Tas: primeiro ''educomunicador'' da m�dia brasileira

05/06/2014 - COLUNA ''Mondolivro'', de Afonso Borges, na r�dio CBN

Tas: primeiro ''educomunicador'' da m�dia brasileira

Marcelo Tas foi professor de desequilíbrio, quando fez teatro com Antunes Filho. Só ele, de toda a trupe, conseguia enfrentar a gravidade. Antes, aos 15 anos, foi aluno da EPCAR, onde quase se formou piloto de caça. EPCAR quer dizer Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena. Nos três anos que passou interno, aprendeu o amor pela leitura. E o  sujeito já nasceu dividido: entre Minas e São Paulo, na cidade de Ituverava, quase na divisa. Sua família também, entre mineiros e baianos. Saiu de Barbacena direto para a USP, onde cursou seis anos de engenharia civil, na famosa Poli. Quando terminou, olhou pro lado e viu os prédios de Comunicação, Psicologia… e mudou de vida: nunca tirou nem o CREA. Mas na Poli aprendeu Mecânica dos Fluidos, que tem a ver com humor. Na Grécia Antiga, os humores significavam o interior das pessoas. E o que somos, além de fluidos com alma?
 
Filho de pai e mãe professores, decidiu seguir uma nova profissão: o educomunicador - neologismo criado por Gilberto Dimenstein para defini-lo, no livro “É Rindo que se Aprende”. Depois das aulas de expressão corporal - quem se lembra desta coisa meio fado, meio vira? - com uma discípula do gênio Klauss Vianna, mudou de novo, e foi para o vídeo - criou o Olhar Eletrônico, e seus personagens mudaram a sua vida. O  irreverente repórter Ernesto Varela e o foco da vida voltou-se para a educação: o programa ‘Rá-Tim-Bum”, “Telecurso" e game “Beco das Palavras”.
 
Antes, ou depois,  pronto: chegamos no CQC. Um programa que tenta explicar o noticiário da TV, de uma forma bem humorada. Ali, onde tudo parece improvisado, quase nada é gratuito. Tudo é estudado, pensado, refletido. Nada vai ao ar sem um critério, sem o que falta hoje na televisão brasileira: bom senso. Perguntei ontem para Marcelo Tas o que ele intuia para o nosso futuro. À frente de um auditório lotadíssimo, ele pensou, e disse: “você está preparado para uma resposta de um milhão de dólares? No futuro vamos descobrir o seguinte: o que vivemos é o presente. Entre a ansiedade do que ainda não veio e a angústia do que perdermos, neste mundo de tecnologia, no futuro, vamos descobrir o presente”.
 
Eu falei sobre o livro, que recomendo, “É Rindo que se Aprende”, uma longa entrevista de Marcelo Tas ao jornalista Gilberto Dimenstein, um amigo querido, que está sumido. Com um bom detalhe: os direitos autorais foram cedidos para a Casa do Zezinho.

 

 

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