''Professor Tibúrcio não escutava ninguém'', diz Marcelo Tas

11/07/2012 - Portal Terra

Adriano Lima/ Terra

NATHÁLIA SALVADO
Direto de São Paulo

 


Desde a época do infantil Rá-Tim-Bum (1990), Macelo Tas já demonstrava toda a sua afinidade com o público infantil. Parece que de lá para cá nada mudou. Assim que os jornalistas entraram no estúdio 1, na Band, nesta quarta-feira (11), encontraram o apresentador do CQC completamente entregue ao grupo de seis crianças que vai acompanhá-lo por algumas edições de sua nova empreitada, o Conversa de Gente Grande, que estreia neste domingo (15), às 20h.



"É um tipo de trabalho que combina com o que eu sempre fiz, mas é diferente. O Professor Tibúrcio não ouvia ninguém. No máximo os alunos podiam responder: ''bom dia, professor Tibúrcio''. O Telekid (Castelo Rá-Tim-Bum, 1994) já era um pouco diferente, porque respondia as perguntas das crianças. O Plantão do Tas (2009) já é uma ficção jornalística. Mas o Conversa é um projeto mais arriscado, preciso ouvir esse público, que fala o que pensa. Tem um roteiro que muda o tempo todo", explicou o apresentador. O novo programa de Marcelo Tas terá diversos quadros, entre eles um em que Tas entrevista uma criança de três a doze anos, chamado Mano a Mano, que abordará temas variados de drogas a adultério.

 


Questionado se o programa terá algum tabu, como ir mais fundo no tema sexo, por exemplo, Tas nega. "Mas o sexo é para ir mais fundo mesmo. Vocês se importam de falar sobre sexo, crianças?", questionou. "Não! A gente até pergunta de onde vêm os bebês em uma das entrevistas", responde rapidamente Fernando. "O que muda no programa é a linha que a gente aborda os assuntos. As crianças falam sobre tudo e com muita nitidez. Teve uma menina que veio aqui e me deu uma aula sobre o fim do mundo", completou.

 


Sobre as diferenças entre as crianças de hoje em dia para as da época do Professor Tibúrcio, no programa Rá-Tim-Bum, Tas afirmou que pouca coisa mudou. "É quase nenhuma! As crianças falam o que vem na cabeça delas. É tudo dito com um grau de sinceridade raríssimo na televisão brasileira. É um entrevistado difícil de lidar. Estou aprendendo uma coisa. A diferença entre o adulto e a criança é que ela não tem medo de errar. O adulto tem muito medo de pagar mico. Eles não".

 


Ao eleger uma coisa surpreendente no novo programa, Tas disse ficou chocado ao notar como os pais não conhecessem os filhos. "Para escolher quem vai estar aqui, nós entrevistamos as crianças e depois os pais. A visão dos pais é o oposto do que as crianças são de verdade. Estou muito chocado, até como pai mesmo. Nossa visão é muito diferente. Eles falam: ''meu filho é meio tímido, medroso''. E ele chega aqui é o oposto. Estão surgindo crianças que me trazem conteúdos que os pais não têm ideia", contou. O apresentador também reforçou que os pais não interferem no conteúdo do programa.


Casos interessantes

Revelando algumas participações marcantes na atração, Tas contou o caso do menino David, que falou sobre o dia mais difícil da sua vida. "Ele é filho de músicos, super ''flower power''. Quando perguntei, ele disse que tinha sido na rua do Boqueirão, na cidade do interior em que ele mora. Perguntei por que e ele disse: ''porque eu conheci a mulher da minha vida e ela me ignorou. Tentei chamar meu pai e ele nem percebeu''. Ele lembrava de todos os detalhes da roupa da menina. Propus que a gente tentasse encontrá-la. Vamos ver".

 


Outro caso que surpreendeu Tas foi o de uma menina de quatro anos que lhe perguntou se ele sabia como andava um ladrão. "Ela começou a imitar. Parecia uma especialista em ladrões. Perguntei se ela sabia o que fazia uma pessoa se tornar ladrão, ela disse: ''ah, o cara está sem fazer nada em casa, toma uma droga e sai''. Questionei se ela sabia o que era droga e ela respondeu: ''é uma coisa que você toma e faz a sua cabeça girar muito rápido''", relembrou, às gargalhadas. "Eu entrevistei uma menina de três anos também, um micróbio de gente. Me senti estranho, parecia que eu estava conversando com um feto", brincou.

 


CQC
Apesar do novo projeto na Band, Marcelo Tas fez questão de ressaltar que continua na bancada do CQC. "É a minha prioridade. O CQC dá muito trabalho. Eu tentei adiar. Queria que o programa entrasse no ar só no ano que vem, mas não deu. O projeto amadureceu do ano passado para cá", disse.


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