Aventuras dos Netos do Amaral

23/12/1990 - Estado de São Paulo

Aventuras dos Netos do Amaral

Aventuras dos Netos do Amaral

Evaldo Mocarzel

Rio - Não é a performance política do deputado Amaral Netto nem tampouco os perigos do seu dia-a-dia de parlamentar em Brasília - sujeito a socos, como o que ele levou há dias na orelha esquerda, e a trovoadas - que inspirou os criadores do programa Os Netos do Amaral, que vai ao ar hoje na MTV. Quem comoveu a dupla de videomakers Marcelo Tas e Eder Santos, responsáveis pela série-mensal, com programas de 30 minutos - foi Amaral Netto, O Repórter. A série tem como meta principal fazer televisão no Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, focalizando o País do Oiapoque ao Chuí. "Oitenta por cento dos programas brasileiros são feitos no eixo Rio-São Paulo", diz Marcelo Tas. "O primeiro input do nosso programa foi buscar outros sotaque além do carioquês e do paulistês. Observando a história da nossa TV, o único cara que faz isso foi o Amaral Netto", diz. 


O parentesco do programa com o ufanismo sensacionalista do extinto Amaral Netto, O repórter, pára por aí. Netos do Amaral será pilotado pelo hilariante alter-ego de Marcelo Tas, o irreverente Ernesto Varela, que reaparece na telinha totalmente reciclado para enfrentar as aventuras do atual momento político do País. "Uma mistura de Indiana Jones, Fernando Collor de Mello e Rogério Magri", na definição dos dois diretores.

 

"Mas o Ernesto Varela não vai conduzir o programa o tempo todo, como fazia nos tempos do Olhar Eletrônico", ressalta Eder Santos. Os dois diretores não querem falar demais do programa porque recebem ordens expressas da direção da MTV, que está produzindo a série junto com a Vídeo Filmes. "Quando fizemos o acerto com a MTV, o projeto ficou muito mais voltado para a aventura", diz Tas.

 

Só que o intenso ritmo de aventura acabou fraturando os dois calcanhares do repórter. A equipe do programa gravou cenas em Oiapoque, extremo norte do País, no Amapá; em São Luís, Maranhão; em Barretos, interior de São Pulo; em Belém, Pará, e depois todos adentraram a Belém-Brasília. Em Paragominas, no Sul do Pará, divisa do Estado com Tocantins, o repórter estava em cima de uma pilha de troncos de maçarandubas, madeira extraída da Floresta Amazônica, a pouco mais de dois metros do chão. Na hora de pular, desequilibrou-se e tentou amortecer o peso do corpo com os calcanhares. "Foi um sinal dos deuses", brinca Tas, fazendo referência a um suposto mau agouro trazido por Brasília.

 

Desde o dia 17 de setembro, ele está com os calcanhares engessados, fazendo fisioterapia diariamente. Os programas começaram a ser editados em seu apartamento, em Copacabana. A queda foi gravada e será incluída no terceiro programa, que vai ao ar em fevereiro.

 

A dupla de diretores faz questão de detalhar todas as etapas da feitura do primeiro programa. "Por que você não faz uma matéria sobre o making of do programa?", sugere Tas. Ele e Eder rodaram ao todo 60 fitas, totalizando 40 horas de gravação. Durante duas semanas, viram as fitas e fizeram um índice com cada take. O resultado, eles exibem, é um impressionante calhamaço.

 

Os diretores transferiam-se depois para uma ilha de edição off-line, de equipamento barato e com recursos limitados, ideal para um rascunho do programa. A etapa seguinte foi uma ilha de edição on-line, em que os dois costuraram os sons e as imagens com as sofisticadas possibilidades de efeitos da linguagem eletrônica totalmente informatizada.

 

"O Brasil tem aparecido de forma tão distanciada no telejornalismo que o País simplesmente não acontece na televisão", diz Tas. Netos do Amaral continua trancado a sete chaves pela MTV. A irreverência do programa promete momentos demolidores. O deputado Amaral Netto que se cuide. Talvez a idéia do capacete não seja tão ruim assim. 

Os Netos do Amaral: Série mensal, com programa de 30 minutos de duração. Peregrinação do repórter Ernesto Varela pelo País. Direção de Marcelo Tas e Eder santos. Domingo, 23h. MTV (Canal32UHF/ São Paulo e Canal 9 VHF/ Rio)

 

 

 

 

As semelhanças entre a série que 

estréia hoje na MTV e o programa 

Amaral Netto,  O Repórter, são o 

nome e a mobilidade. Se houver 

outras, é mera coincidência.